Feeds:
Posts
Comentários

Dentro do sutiã de uma mulher cabe mais que vaidade.

Pouco importa quantos anos tenha Helena, pouco importa que tenha antes criado os filhos e assistido ao nascimento de netos quando se viu numa situação de imobilidade física em decorrência de enfermidade no quadril. Importa o que essa mulher soube guardar no sutiã.

Ela cuidava de todos os detalhes da casa: cozinhava, lavava, limpava e ainda fazia biscoitos para amigos, visitas, genro e noras. Ativa, nada escapava a seus cuidados. Sabia onde encontrar cada objeto da casa, de um alfinete ao brinquedo preferido do neto.

Mas veio a doença, e com ela a lição de resiliência. Seu caso carecia de doador, e durante uma década esperou pela operação que cessaria as dores e lhe devolveria a liberdade de ir e vir, sem o auxílio das muletas. Ansiava pelo dia em que poderia fazer tarefas simples como lavar a louça de pé na pia da cozinha.

Arte: Salvador Dalí

A espera de Helena era feita de dores, de incontáveis consultas médicas, centenas de exames e prazos que não se cumpriam. No seu prontuário consta mais de uma dezena de CIDs (Código Internacional de Doenças). Cada vez que a cirurgia era desmarcada parecia que o relógio andava para trás.

Quando enfim D. Helena foi operada iniciou-se outro martírio: nove meses estendida na cama, na mesma posição. Seu olhar vítreo no teto do quarto lembrava um quadro de Frida Kahlo.

A distante e suprema independência significava ir ao banheiro e lavar-se sozinha.

Com a autoestima abalada, o coração dessa mulher experimentou o gosto travoso da insegurança: e se o amor de Mozart não resistisse? Houve momentos em que desejou ter partido para o domicílio espiritual. Pelo menos pouparia Mozart, o amor de sua vida, de testemunhar aquele estado lastimável.

Depois de trocar a pele das costas e vencer a etapa mais difícil do repouso forçado, Helena foi aos poucos adquirindo autonomia. No dia em que tomou banho, sozinha, contou às visitas [sem nenhuma cerimônia] que estava feliz demais por ter lavado a própria bunda!

Mas havia algo que desejava intensamente fazer, cujo significado só ela conhecia: comprar um sutiã cumprindo o ritual de ir sozinha à loja, escolher o modelo e provar a peça preferida do vestuário feminino. As lojistas da vizinhança até mandavam à sua casa alguns itens para que ela escolhesse o de sua preferência, mas não era a mesma coisa e ainda sugeria que ela estava inválida.

Rose, sua filha, estava na minha casa quando recebeu por telefone a notícia de que Helena havia, enfim, realizado seu desejo. Enquanto eu ouvia o relato comovido de Rose, corei só de lembrar do que estava me queixando minutos antes.

A primeira noite de Helena e Mozart, depois de tantas noites, é um capítulo à parte nessa história.

Não fique com ciúmes não, Mozart! Quando sua amada voltar da academia é você quem vai ajudá-la a desabotoar o sutiã.

A Hanna Montana, ensinando que respirar é preciso

Just Breathe”, essa foi a tatuagem feita pela cantora americana Miley Cyrus, estrategicamente, bem na altura das costelas. As costelas, vocês sabem, deveriam expandir o espaço entre elas quando respiramos. Não, não é o peito que deve subir e descer quando (achamos que) respiramos profundamente, mas a barriga.

Para quem vive profissionalmente da música, respirar corretamente é um requisito básico. Mas, para a maioria de nós, cantores de chuveiro, simplesmente lembrar de respirar tem sido cada vez mais um luxo.

A nossa falta de consciência e de cuidado corporal é uma dessas doenças da modernidade que atingem cada vez mais pessoas no nosso tempo. O ar também é alimento, mas, assim como a comida, não serve qualquer uma e nem de qualquer jeito. O valor da respiração correta e da consciência corporal é uma arma poderosa contra o estresse e a correria do dia a dia, mas pouquíssimos de nós se dão conta disso.

Uma respiração feita corretamente, na hora certa, pode simplesmente mudar o rumo da sua vida. Impedir que você fique desempregado, por exemplo. Ou até mesmo salvar uma relação. É aquele segundo em que você está prestes a por tudo a perder e então fecha os olhos, concentra no pulmão, inala todo ar que pode e pronto, você ganha um novo fôlego - e de quebra ainda descobre que sua paciência é maior do que imaginava. Bom, se for mesmo pra por tudo a perder, que seja uma decisão tomada com o pulmão cheio de ar!

Mas para que isso aconteça, é preciso praticar. Já reparou que passamos dias inteiros sem perceber, uma única vez, que estamos respirando? Os seres vivos são capazes de passar alguns dias sem água ou comida, mas duramos poucas horas sem ar – e deve ser uma morte terrível! Esse é outro mal da modernidade, não dar valor a essas pequenas coisas que estão sempre ali…

É engraçado que, muitas vezes, a gente precise de alguém que nos ensine a fazer corretamente coisas que, em tese, nascemos sabendo.

Recentemente, um de meus irmãos resolveu que era hora de trocar de ares, de oxigenar velhos hábitos e se propôs, entre outras importantes resoluções de ano novo, a aprender a respirar. A respiração profunda e consciente também harmoniza a nossa vida, com nós mesmos e com os outros. E, no momento, tudo o que mais torço é para que ele continue respirando, conscientemente.

Deixo vocês com Pearl  Jam: letra e vídeo da música “Just Breathe

http://letras.terra.com.br/pearl-jam/1552671/

Quem sobrevive à família, sobrevive a tudo. [Adélia, neste blog].

Guardadas as razões que a razão pura e simples desconhece, é certo que em determinado período da vida a convivência familiar é imposta pelas circunstâncias e responde a uma necessidade. Talvez resida aí um dos fatores de conflito nesse território comum chamado família.

Mas, se  a separação for determinada pelas circunstâncias, estar perto das pessoas do seu grupo familiar ganha outro significado, em especial quando esse convívio é raro e breve como nos períodos de férias. Essencial para fortalecer o elo.

Não seria exagero afirmar que a maioria dos residentes em Brasília vive apartada da família, ainda que conserve um núcleo mínimo, uma espécie de ilha afetiva. Cada história de separação guarda seu enredo particular. Comigo não é diferente, e nas poucas ocasiões em que usufruo da presença de entes queridos é sempre um deleite.

Foi assim durante dez dias na companhia de uma irmã e duas sobrinhas.

Conhecer um pouco do gosto pessoal de cada uma das meninas, trançar seus cabelos, vê-las rir e chorar ao ouvir histórias do arco da velha [nesse caso a velha sou eu], foi uma experiência prazerosa que me deixou cheia de saudades.

Curioso é que a estada em tempo integral na companhia dos meus filhos durante alguns dias trouxe surpresas semelhantes às experimentadas com as sobrinhas, que moram acima da linha do equador.

Administrar a agenda dos filhos pelo telefone é absolutamente diferente de estar presente em todas as refeições do dia. E se a rotina nos impede, o jeito é ligar para eles e perguntar se fizeram as tarefas, se alimentaram o felino, se almoçaram na hora certa. A resposta nem sempre corresponde à realidade. O distanciamento que a vida moderna impõe é o preço ingrato da não convivência amiúde.

O desafio dos primeiros dias de férias foi transformar o estranhamento da presença em intimidade e adentrar ao universo peculiar dos garotos, com idioma e códigos próprios. Desta vez foi necessário assistir a muitas horas da série de televisão Prison Break, e familiarizar-me com Michael Scofield, Lincoln Burrows e Doutora Sara Tancredi − personagens sobre os quais os meninos falam como se fossem colegas de escola. Desconhecê-los significava não ter assunto em comum. Aceitei as condições e depois de 81 episódios, saí do apartamento com a sensação de ter passado uma temporada na penitenciária de Fox River.

Nas humanas relações alguém precisa tomar a iniciativa da aproximação, ou a indiferença toma o lugar da cumplicidade.

Mas o calendário reclama meu retorno ao trabalho, e outra vez o “remoto controle” entra em ação. Por falar nisso, preciso ligar pra casa e saber se comeram cereal no café da manhã…

Nunca fui de fazer listas de desejos na passagem do ano, mas gostava de me unir à multidão na praia e sentir a alegria e a energia das pessoas ao meu redor, com rosas e palmas para jogar ao mar. Parei de fazer isso porque me incorporei a novos costumes e pessoas, e vivo outra vida agora, longe da praia, dos rituais coletivos e da grande cidade apressada. Mudei a direção da minha vida, mas uma parte de mim ficou lá, vestida de branco e de pés descalços.

Eu e todos de minha geração olhávamos para um longínquo 2010 prevendo uma modernidade de ficção científica, com infinitas possibilidades de mudança, que ficaram apenas na imaginação.  Com certeza, muita coisa evoluiu (estar aqui é um exemplo), mas, olhando ao redor, reparo que os hábitos, os sonhos e até as tragédias pouco mudaram. Então, é só um calendário, nada mais.

Sabemos o que vem pela frente: o Carnaval, a Copa do Mundo e as eleições. O resto, somente vivendo para saber. E se for para viver, o melhor é que seja plenamente, sem pular nenhum dia e sem pedir para o fim de semana chegar mais rápido. Devagarzinho, às vezes, também é bom.

Foto: Mauro Nascimento/G1De um a dez, que nota você daria ao seu 2009? Vou melhorar a pergunta. De zero a dez, qual a nota do seu ano? Assumo que – depois dos quarenta – já tive anos melhores e piores, mas o que ficou mais acentuado neste é como me multipliquei em diversas atividades. E, sinceramente, não sei se isso foi positivo.

O cansaço físico reduz a criatividade, contagia o humor (para pior) e a capacidade de estar disponível aos amigos e à família. Não estive muito disponível em 2009. Por isso, perdi tempo precioso tentando ganhar tempo. Em 2010, quero desacelerar. E, principalmente, quero fazer coisas sem importância e não morrer de culpa depois. Será que consigo?

Para embalar esse ritmo, deixo para vocês a bela canção do jovem Jason Mraz: I´m Yours, algo realmente bom em 2009. Confira no  http://www.youtube.com/watch?v=LYhrYHmUPn0.

24 quilates

 

Ângelo e Rebeca

O que eu desejo a você em 2010?
Felicidade de 24 quilates e muitos risos.
Desses que os olhos dos enamorados traduzem.

Arte: Salvador Dalí

É compreensível a preocupação com o amanhã; é imprescindível a ocupação com o hoje; é necessário desocupar-se do ontem.

Quando chega dezembro bate aquela sensação de que o ano foi curto, de que o tempo voou e que os abraços se extraviaram no caminho. É hora de abrir o coração para balanço.

Perdidos na ilusão das horas, corremos contra o calendário que insiste em nos apressar cada vez mais, e mais apressados do que nunca buscamos abraçar quem não abraçamos e dizer da falta que nos faz.

Não ter cumprido integralmente o que nos propusemos no início do ano não é motivo para desânimo, é razão para mais empenho. Pois ao fim de um ciclo há sempre a possibilidade de avaliar a trajetória e corrigir o rumo. E ainda que muitas vezes tenhamos os pés engessados ao iniciar a prova, desistir está fora de cogitação.

Foi mais ou menos assim que me senti este ano: com um pé engessado e numa corrida com obstáculos. Múltiplos e desconhecidos obstáculos para os quais nunca estive preparada.

Mas sou uma pessoa de sorte e durante o percurso não faltou quem oferecesse água pra aliviar a sede, unguento pra sarar as feridas e abraço pra afastar o medo.

Problemas são variáveis neutras, todo mundo tem. Diz-me alguém que completou a prova antes de mim, mas retornou ao circuito pra prestar solidariedade sem a qual seria impossível vencer todas as barreiras.

A verdadeira generosidade não espera dezembro para se manifestar; antecipa o calendário e faz de cada dia um Natal carregado do sentido de compaixão e humanidade. Faz cada dia ser único sem ser último e se alegra com a promessa do encontro, como se fosse amanhã.

A vida precisa ser testemunhada, porque as lembranças solitárias tendem a desbotar, tornarem-se vagas, embaraçarem-se e até desaparecerem. Aquele que testemunha a sua vida ajuda-o a lembrar quem você é. Algo semelhante é dito pela personagem de Susan Sarandon, no filme Dança Comigo? (Shall we dance?). Um dos diálogos mais bacanas do cinema, na minha opinião.

Faz muiiito tempo, eu morei um ano no Japão. Tudo aconteceu muito rápido: uma oportunidade, uma bolsa de estudos, uns quarenta dias de preparação e quando dei por mim, estava em Tokyo – um lugar onde eu nunca imaginei estar.

Não tenho palavras pra descrever os efeitos de tal experiência (emocional, física, sensitiva, psíquica) que este ano causou a uma garota amazônida de 23 anos. Naquele tempo, não havia Internet, e-mails, Google earth e o conceito de “mundo globalizado” era bem precário, se comparado aos dias atuais.

Estava só, e do outro lado do mundo, sem conseguir diferenciar detergentes de shampoos em um supermercado. Minha condição de minoria estava na cara. E, neste novo mundo, minhas referências, que aquela altura já não eram muitas, de pouco valiam. Era uma folha de papel em branco, começando praticamente do zero.

São em situações como estas que conhecemos pessoas que marcarão nossas vidas pra sempre. Harumi Hashimoto (o bailarino na foto) era o diretor da televisão onde estagiei e responsável direto pelo meu estágio. Lembro a primeira vez que nos vimos, quando fomos apresentados. Não tínhamos a menor idéia de como lidar um com outro e sabíamos que teríamos um longo ano pela frente para resolver este impasse.

Hashimoto (e outros inesquecíveis personagens que conheci naquele ano), aos poucos, e com uma paciência realmente oriental, foi me apresentando o Japão. Explicando os costumes, mostrando os caminhos. Corrigia minha fala e minhas gafes. Certificava-se de que eu teria companhia e, uma vez por semana, eu jantava com ele e a esposa. Matriculava-me em cursos de Ikebana, confecção de sushi, cerimônia do chá … cada mês era uma novidade. E ninguém mais vibrava tanto com meus progressos na terra do sol nascente.

Hashimoto também me viu chorar algumas vezes e eu realmente evitava fazer isso na frente dele porque nada mais deixava aquele homem tão desconcertado.

Por fim, estava novamente naquele aeroporto de Tokyo. Aquele ano surreal tinha acabado. Hora de voltar pra casa. A despedida foi simplesmente terrível. Foi a primeira vez que nos abraçamos – acho que eu abracei na verdade. Abraçar não fazia parte dos costumes. Mas eu lembro da tristeza em seu rosto. Prometemos escrever (cartas) e não perder contato.

Uma década e meia depois, quase já não lembrava mais de tudo isso, quando, na semana passada, um e-mail com caracteres japoneses bateu na minha Caixa de Entrada. Por pouco não deletei, achando que era spam. Depois de tanto tempo, Hashimoto conseguiu me achar. Por alguns minutos fiquei em choque. Devo ter passado mais de meia hora olhando o e-mail, lendo e relendo uma tradução bizarra para o português.

Agora, já aposentado, meu querido amigo dedica-se a dois prazeres: fotografias e dança de salão. Este mundo é mesmo uma ervilha!!

84841099

Filtro solar, reparador de pontas [para cabelo], celular, pen drive,  cartão de crédito são invenções formidáveis que trazem praticidade ao dia a dia. A lista é bem mais extensa e varia de acordo com a necessidade e gosto pessoal de cada um. Mas uma coisa é certa: depois de incorporados à rotina, é duro abrir mão de uma delas. Entre máscara para cílios e carro há quem opte pelo primeiro item.

Mas eu pertenço ao grupo de pessoas cujo estágio evolutivo não alcançou o ecologicamente correto, e ficar sem carro ainda é um transtorno.

É admitir a dependência e assumir os riscos. De cara, a primeira vez que me envolvi em acidente de trânsito demorei pra entender o que as seguradoras chamam de “sinistro”. A atendente perguntava se eu queria comunicar o tal sinistro, e eu insistia que havia sido apenas um acidentezinho…  Mas essa inocência já se perdeu há muito tempo e nos últimos três meses gastei toda minha cota anual de colisão de trânsito.

A mais recente foi um desaforo e depois da notícia de que ficaria sem carro até 31 de dezembro, tomar emprestado o carro de alguém me pareceu uma saída razoável.

Localizada a vítima, até curti a ideia de desfilar a bordo de um carrão. Mas antes precisava regularizar uns documentos no departamento de trânsito. Tarefa fácil se comparada ao aborrecimento de ficar a pé. Escolhi uma tarde de domingo para apanhar o veículo já que o trânsito é mais tranquilo e em geral não há blitz nesse horário.

O upgrade demorou pouco e na volta pra casa o cabo da embreagem do possante arrebentou e a bateria arriou me deixando em apuros. Detalhe complicador: era domingo e chovia e nenhum mecânico em completo domínio das faculdades mentais trocaria o jogo de decisão do campeonato brasileiro por um programa sinistro desses.

A primeira medida foi liberar a pista e rezar para que a solidariedade não viesse numa viatura policial. Afinal, além das pendências de documentação, havia mais duas questões: o veículo não possui seguro e não está em nome da pessoa que me emprestou…

Nessas horas é que se descobre que ter o número do telefone de um guincho na agenda é mais importante do que o telefone do Papa. Nem preciso dizer que não tinha… Ok, nada que uns quinze telefonemas não resolva, se a bateria do celular resistir. Resistiu, e meus nervos também.

Quatro horas mais tarde tomava, sossegada, um delicioso cappuccino no shopping; e quatro dias depois fui tratada por “madame” ao estacionar a máquina numa dessas lojas de acessórios para auto. Ah, como nos enganamos com as aparências!

P.S. Josi, que maravilha! Agora posso ir à sua festa!

Sei que não é desculpa (pra ter passado tanto tempo longe), mas estava numa daquelas fases onde você se entrega sem resistência à velocidade com que os dias passam, torcendo para que simplesmente passem em paz.

Tem períodos em que os dias vão ficando mais velozes, as tarefas se automatizam e nada disso significa que você esteja realmente prestando atenção. É a paisagem passando rápida demais pela janela. Hipnoticamente rápida.

Esse é o grande perigo da existência: virar espectadora da própria vida. Assim como perder tempo e desperdiçar vida com acontecimentos banais. Nem bons, nem ruins, apenas as querelas do dia a dia. E, em meio as aporrinhações, vamos envelhecendo a passos firmes.

Como é difícil quebrar o ciclo auto sustentado pela Lei da Inércia e voltar a assumir o “controle”. Dar-se conta da vida a sua volta. Dar-se conta da própria vida e querer vivê-la intensamente.

Acontece que, ao longo do caminho, nem sempre estamos apaixonados por  ela, a vida. Às vezes queremos agarrá-la com os dentes e não desperdiçar uma única emoção, ou um único minuto. Outras, simplesmente estamos correndo, sem saber para quê, nem para onde, nem achando que tenhamos que assimilar nada durante o percurso.

Aí, de repente, acontece um “estalo”. Difícil de explicar, por isso vou chamar de “estalo”. Como um insight, onde você sente falta de fazer coisas. Onde você sente falta de você mesma, de quem costumava ser, de ter projetos e partir com ganas para a velha lista de pendências antes que mais um ano acabe.

Encontrar o caminho de volta é um exercício constante. Assim como tentar fazê-lo melhor.

Postagens Antigas »